Por causa da chuva, por causa das sensações líquidas, por causa das palavras molhadas, por causa da saudade oceânica, por causa da palavra “saudade” que é tão bonita, por causa do poema que deslizou naquela lágrima, por causa daquele beijo que encheu a saliva de um gosto bom, por causa das coisas perecíveis, por causa dos afetos eternos, por causa das gotas de suor do sexo, por causa do grão de areia e sal da praia deserta, por causa da sede das plantas, por causa da enchente nas ruas, por causa da causa e do efeito, por causa da metafísica, por causa das coisas efetivas. Por causa do olhar marejado, por causa da gargalhada de fazer chorar até doer as bochechas, por causa das sete ondas, por causa do banho de cachoeira para acordar o corpo. Por causa da água gelada para encher o copo. Por causa da expectativa_ a ansiedade represada.
Por causa de tanta coisa a gente mergulha e vai levando ou sendo levado.
Por causa do mar calmo a gente boia.
Por causa nenhuma a gente não levanta da cama.
Por qualquer causa ou paixão, a gente tenta mudar o mundo...
Por causa do amor...meu abraço tão apertado sempre.
(Marla de Queiroz)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Amar você é amar aquilo que, de outra forma, jamais faria sentido: é abraçar teu passado, teus traumas, teus vazios, tuas confusões e angústias existenciais como quem abraça a um amigo.
É agradecer profundamente, ao acordar, por esta pessoa inteira, que jamais será uma metade e que me escolheu para a soma,
e que com todas as alternativas que teve, preferiu seguir comigo.
(Amar você me fortalece.)
Marla de Queiroz
É agradecer profundamente, ao acordar, por esta pessoa inteira, que jamais será uma metade e que me escolheu para a soma,
e que com todas as alternativas que teve, preferiu seguir comigo.
(Amar você me fortalece.)
Marla de Queiroz
Chá das nove
Tenho me acostumado a receber o seu “bom dia” na hora mais sonolenta do meu café-da-manhã e a acordar definitivamente quando gargalho só porque você achou a minha história matinal bonita. Tenho me acostumado a rir muito mais de mim mesma porque você me acha engraçada e a sair mais enfeitada porque mesmo sabendo que não, tenho a impressão de que você me vê andando por aí, escutando sempre as mesmas músicas, no mesmo horário de sempre, mudando apenas os caminhos. Tenho me acostumado às mensagens ao longo do dia, aos seus mimos, a você sendo meu ouvinte passivo e sempre tão assertivo nas suas opiniões. Gosto dos seus cuidados e do respeito que você tem pelo meu lado mais maduro. Mas eu sei que você adora minhas molecagens e me espera à noite pra tomar chá comigo, talvez ansioso porque estou demorando um pouco mais. Secretamente, sem perceber, criamos nossos horários para promover e aproveitar mais os nossos encontros.
Tenho me acostumado a receber, eu que sempre dei até o que não tinha. E você me proporciona a vivência de um entusiasmo sem culpa. Antes eu achava que não era delicado estar tão feliz enquanto alguns sofriam. E por estas e tantas, tenho vontade de presentear você compartilhando um lado meu que talvez eu ainda não conheça, mas que você, com sua amorosidade, vem me ajudando a conhecer me dizendo com delicadeza detalhes sobre mim que eu nunca havia percebido_ tua sensibilidade é comovente. Gosto tanto da beleza que você me deu! Gosto do seu olhar atencioso e da sua maneira prática de me ajudar respeitando afetuosamente o meu tempo de resolver as coisas. Porque gasto muito tempo só sentindo, observando, contemplando, percebendo, mergulhando, vindo à tona e entregando as coisas pro Universo... Por isso, eu te peço: não tenha medo, eu não fujo do que é bom, eu aceito e agradeço...
(Tenho me acostumado a ter você por perto, por dentro, todos os dias, pra sempre... Hoje!)
Então, me espere para o chá das nove... Mesmo que eu me atrase um pouco.
Marla de Queiroz
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